Entrevista

Daniel Langer

agosto 26, 2015

Conheci o Daniel Langer num Acampamento de Arte e desde lá tô de olho no trabalho dele. Ao vivo, assisti Labirinto de Filó que ele participou, vi alguns vídeos e já li alguns textos dele por aqui e ali, aliás muito bons devaneios. Quero começar trazer pro blog essa galera do teatro também, trazer um pouco desse universo, saber um pouco de como eles pensam a vida e também é uma boa pra gente acompanhar essa galera mais de perto, né?  🙂

simbolo– Quem é o Dani?
Daniel não é. Daniel apenas está. rs Eu tento fugir do convencional, diante de tantas coisas que eu já fiz, que me colocaram pra fazer, eu ainda estou tentando ser algo. Mas filosoficamente me considero um pensador, quando tento formalizar sou um escritor. E na vida, em grande parte observo e numa pequena parte que me cabe, atuo.

 – Quando você começou se envolver com o teatro?
Comecei em 2004, quando precisaram de uma pessoa pra fazer uma personagem bíblica em uma peça que seria apresentada num acampamento. Levei 1 mês pra decorar 2 frases. que no final, durante a apresentação um ator pulou uma cena, que era justamente a da minha participação. Depois disso quis saber mais sobre teatro, iniciaram um grupo de estudos na igreja da qual faço parte e eu acabei sendo picado pelo bichinho do teatro (como dizem no ramo). Acabando essa iniciativa, decidi continuar estudando por conta, fui levando como hobby até o momento que as portas foram abrindo pra mim. Hoje estou profissionalmente vivendo como ator há 3 anos.

– Fala um pouco pra gente com o que você trabalha?
Bom, hoje eu faço parte de um grupo teatral chamado Pasárgada, que já existe há 43 anos. Mas sou chamado por outros grupos também. (Além de ter a minha Cia. de contação de histórias e missões). Gosto de me envolver em tudo relacionado às artes cênicas, sem me importar de estar no palco. Então muitas vezes pego trabalhos como contra-regra, sonoplasta, iluminador, percussionista etc.. Então quase nunca estou fazendo a mesma coisa, mas uma coisa que tem se repetido muito são as intervenções como palhaço.

– Você se sente mais a vontade no palco, na frente das câmeras ou na vida?
Eu me sinto mais a vontade em casa! rs Porém é no palco que acredito estar cumprindo minha vocação e isto me faz bem.

– Você também escreve, né? Quando escreve, você busca ligações com coisas da sua vida ou você é totalmente fictício?
Sim, escrevo. Sempre relacionado com algo que eu já vivi. Até mesmo os trabalhos que foram por encomenda, digamos assim, passa pelo crivo das minhas pequenas experiências. Claro que muitas vezes com um toque de lúdico para acrescentar um brilho.

– Nas cenas que você faz, você traz um pouco do que viveu pra traduzir aquele momento ou isso só acontece com coisas que você já viveu de fato?
Acredito que dentro de qualquer arte temos que ser verdadeiros acima de tudo. Quanto mais a gente mostra da nossa verdade, mais a gente impacta outras pessoas. Tem cenas e personagem que não fazem parte da gente e nunca vamos passar por aquilo, então fica difícil mostrar a verdade, mas pra isso existe a pesquisa, pra primeiro entendermos como aquela personagem pensaria, agiria e reagiria naquela cena, e em segundo lugar usar a técnica mais adequada que a gente conhece pra demonstrar o que acreditamos, dentro da linguagem da peça.

– Qual foi o ponto mais difícil que você teve que trabalhar em si mesmo pra se aperfeiçoar no teatro?
Com certeza a inibição, e ainda luto muito contra isso.

– Resume pra gente uma peça perfeita em 3 pontos?
Se eu tivesse que escolher apenas 3 pontos pra analisar em uma peça, eu escolheria esses pontos, sem ordem de importância, pois elas se relacionam, uma pode estar dentro da outra.
– Atuação: Performance; expressão corporal, vocal, e entendimento de texto.
– Intenção: Intenção do autor e dos atores.
– Surpresa: Uma ou mais coisas que nos surpreendem os olhos, ouvidos e/ou coração.

– O que você acha da cena artística em SP?
Um dos melhores cenários do Brasil, cheio de opções em todo o canto e pra todos os bolsos e gostos do público. O que falta muitas vezes são melhores condições financeiras e amparos para o artista.

– Qual sua dica pra alguém que quer viver do teatro?
1. Acompanhe de perto alguém que trabalhe com isso.
2. Se envolva (sem pensar).
3. Pense, e depois de já estar trabalhando com isso, repense todas as vezes que surgir dúvidas.

– Fala aqui três das peças mais belas que você já viu.
O que seria de nós sem as coisas que não existem. (Lume Teatro)
Panos e Lendas (Cia Piq & Nic)
Palhaços (de Timochenco Wehbi – com Dagoberto Feliz e Danilo Grangheia)

– Indica pra galera alguns livros que mais te fizeram pensar e repensar questões na vida e no teatro?
Em ordem de importância na minha vida:
– A Bíblia
– O Monge e o Executivo / James C. Hunter
– As cinco linguagens do amor / Gary D. Chapman
– Uma força em movimento / Erwin McManus
– Teatro do Oprimido / Augusto Boal
– Poliana / Eleanor H. Porter
Poderia citar tantos livros técnicos sobre teatro que li, mas decidi escrever apenas um, porque teatro é só uma síntese da vida. Portanto, por mais que eu deseje teatro, a vida ainda é mais importante, e nisso que acredito que temos que dar prioridade no pensar e repensar.

– Qual seu objetivo com a arte?
Trasformar vidas. Só.

– Você se inspira bastante em pessoas, em lugares? Conta pra gente da sua inspiração.
Eu me sinto inspirado quando vejo algo bem feito, seja filme, teatro, paisagem, ou uma performance. Se de alguma forma aquilo me transforma eu tenho vontade de fazer o mesmo também.

– Conta pra gente em quais projetos você tá trabalhando e o que vai vir por aí?
Tenho me dedicado ultimamente ao programa “Agora Não é Tarde”. Trata-se de um Talk-Show evangélico ao qual estou dirigindo, produzindo e atuando. Nós utilizamos da linguagem teatral então é possível repetir um episódio em vários lugares, fazendo pequenas alterações dependendo do convidado do dia. A primeira temporada tem como foco despertamento missionário. Mas em breve faremos outras edições do programa falando sobre a “Água da vida” e Cristofobia.

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