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[Sim, eu tenho depressão – Parte 2] O processo, tratamento e os remédios

setembro 21, 2016

A dona psicóloga disse: ‘é, esse seu choro constante não é normal, você está em depressão. Vai passar num psiquiatra e contar tudo o que me contou sobre como se sente!’ Não imaginei que ela falaria isso, foi muito forte pra mim, porque logo pensei nos julgamentos dos outros e pensei: ir à um psiquiatra? Por que? Não preciso disso, fiquei meio em choque.  Naquele dia, voltei pra casa com a cara inchada e com algumas palavras de esperança da dona psicóloga.

E então como foi ir ao psiquiatra?

Muita gente acha que psiquiatra é coisa de louco e ao longo dos anos construímos muitos preconceitos sobre esse assunto, não é? Tanto é que quando a psicóloga me mandou pro psiquiatra, eu fiquei em choque, conversei com alguns amigos sobre, conversei com um amigo que estuda psicologia e ele disse: olha, às  vezes a melhor coisa pro paciente é o tratamento com remédio + terapia, só assim a pessoa vai melhorar. Mas dentro de mim pensava: não, eu não preciso de remédio pra melhorar e fiquei com meus preconceitos e medo do julgamento das pessoas. Bom, cheguei no Dr. X que parecia o Freud, numa salinha super aconchegante, cheguei e quase deitei no divã, mas não, sentei e conversei com ele, expliquei que a psicóloga tinha mandado eu passar num psiquiatra. Então, ele disse que ia fazer algumas perguntas pra mim e as fez, eram perguntas tipo: você perdeu a vontade de fazer coisas que gostava? você tem pensamentos de morte? você acha que a vida perdeu a cor? você não consegue dormir? e fez MUITAS perguntas, respondi todas e no final ele perguntou: tem mais alguma coisa que eu não perguntei que acontece com você? E eu: eu choro demais, sem parar. E depois de tudo, ele disse: é, realmente você está em depressão, vou te passar um remédio pra tomar todo dia e um outro pra conseguir dormir, o de dormir você pode usar só quando precisar e o outro todo dia. Daqui alguns dias você vai perceber alguma diferença, talvez tenha algum efeito colateral, mas observe e volte daqui 1 mês. Enfim, foi isso. Um pouco impessoal, mas foi. Ah! E ele me disse: não adianta nada você só tomar o remédio, precisa aliar o tratamento à terapia.

Então comecei o tratamento remédio + terapia. E só comentei com meus pais, e alguns amigos que eu sabia que não me julgariam. E depois de algumas semanas o remédio começou a fazer efeito, eu parei de chorar loucamente e NEM ACREDITEI. A psicóloga amou como ele me receitou e até pediu indicação dele pra outros pacientes.

E como foi o processo da terapia?

Eu não tenho dificuldade de abrir minha vida, então minhas sessões de terapia eram sempre bem produtivas. Alguns dias eu saía de lá muito muito mal, pensando que eu era uma enorme bosta, que eu nem sabia quem eu era na verdade. E outros dias eu saía com a cabeça explodida, de tantos insights, esperança e vontade de tomar o controle da minha vida. E minha psicóloga era uma conselheira na verdade e isso pra mim foi muito importante, ela me ajudou demais com as questões da vida: família, amores, amigos, sobre quem eu era, sobre Deus, sobre as decisões que eu tinha que tomar, sobre os caminhos a trilhar. E aos poucos, comecei conseguir a falar sobre meus assuntos sem chorar, sem sofrer loucamente e cegamente e então, quanto mais conversava, mais entendia, quanto mais transformava meus monstros em palavra, mais sabia lidar com eles. E chegou um dia muito importante, acho que foi o marco na terapia, o dia em que ela disse: ‘muito bem Lilian, você está conseguindo pensar!’ Porque antes, minhas emoções estavam em cima de todas as coisas e eu não conseguia ver nada claramente, eu enxergava tudo pelas lentes da emoção e de repente, eu consegui equilibrar razão e emoção. E isso foi uma super vitória na terapia. À partir disso, consegui desenvolver muito meus pensamentos sobre tudo o que estava acontecendo. Passei na psicóloga por 1 ano e comecei a ver que não tinha mais porque ir até lá, eu ia e a gente só conversava de como a vida estava e de como eu estava melhor, e de como as coisas estavam melhores, que eu não chorava mais e tal. Então, resolvi parar de ir.

Sobre tudo

De repente, você não vai precisar ir ao psiquiatra também, isso quem vai te dizer é o psicólogo. Mas se você precisar, não fique com preconceitos, foi a melhor coisa que eu fiz, meu choro parou, meus dias ficaram melhores e depois de 1 ano, fui diminuindo a dose e fiz uma enorme besteira da qual vou falar no próximo post: eu parei de tomar o remédio por conta e parei de ir na psicóloga. Se você tem dificuldade de se abrir com o psicólogo, tenta outro, se ainda continuar com dificuldade, tenha paciência, é difícil a gente escancarar a alma e ver as coisas mais horrendas que moram dentro da gente, enxergar quanta podridão tem escondida, mas também é totalmente libertador aprender a lidar com tudo isso e saber que a gente pode transformar as coisas, que ainda há tempo! Que sempre é tempo de recomeçar, de viver a vida que é bonita, é bonita e é bonita!

IMPORTANTE:

Não importa quão ruim a sua vida esteja, tomar os passos certos e conversar com as pessoas certas fazem os dias de cão passarem. Eu não diria que sou grato ao cachorro preto, mas ele tem sido um professor incrível. Ele me forçou a reavaliar minha vida, aprendi que ao contrário de correr dos meus problemas, devo abraçá-los. Quem sabe o cachorro preto faça sempre parte da minha vida, mas ele nunca será a fera que já foi. Se você está com problemas, nunca tenha medo de pedir ajuda. Não existe vergonha alguma em fazê-lo. A única vergonha é deixar a vida passar.


ps: se você quiser conversar mais sobre como foi todo meu tratamento, se você tem curiosidade de ir à um psicólogo, se você tem medo de começar um tratamento com psiquiattra, vem falar comigo, terei o maior prazer de contar tudo nos mínimos detalhes.

 

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