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Esses tantos anos solteira

setembro 8, 2015

Às vezes me pego pensando em algumas escolhas que me fizeram não ter um abraço quentinho pra me esquentar num dia frio. Em não ter uma mão pra caminhar com a minha. Não ter um olhar apaixonado me olhando, muito menos um sorriso bobo de canto de boca. Não ter alguém que gentilmente abaixa e amarra meus cadarços quando estão desamarrados. Não ter aquela boa pessoa pra te perguntar sobre o dia, não ter alguém pra sonhar junto ou pra cantar uma música que a gente ame juntos!

Mas, quem foi que disse que a gente precisa exatamente disso senão seremos incompletos pra sempre? Todo mundo diz, uai. Talvez não com palavras, mas por anos e anos fomos treinados a encontrar o par ideal, a sonhar com os príncipes e almejar um lindo e romântico casamento à beira mar e um apartamento mobiliado e quem sabe um filho dali 5 anos e depois, se o dinheiro permitir, uma casa no campo ou na praia. Ah! O sonho americano, que virou o sonho de tanta gente.

E alguns insistem em que é impossível ser feliz sozinho. Sim, impossível ser feliz sozinho. Mas não impossível ser feliz sem um ‘parceiro’. Estive por muito tempo sozinha e todos esses anos me fizeram encarar toda essa situação de um jeito diferente:

Eu descobri que não tem problema algum em ir à lugares sozinha, ao cinema, ao teatro e até mesmo um café sozinha. Descobri que não deixar de ir à lugares porque estava sozinha me ensinou a curtir um tempo comigo, gostar da minha presença e ouvir os diálogos da minha mente. Descobri que posso assistir à uma peça e morrer de rir sozinha, sim! Sozinha. Descobri que caminhar no parque sozinha é uma das melhores terapias pra alma, quantas oportunidades temos sozinhos com nossos pensamentos? Descobri quanta coisa linda construí em minhas amizades. Descobri alguns portos seguros que sempre me disseram que só encontraria num “parceiro” em outros lugares na vida.

Me tornei mais independente. Parei de depender dos outros pra fazer as coisas que gosto, aprendi a andar com minhas próprias pernas e minhas próprias ideias. Pude observar mais as pessoas à minha volta e pude ver o quanto relacionamentos são cansativos e também o quão belos podem ser. Essa minha tal liberdade tão grande de ir e vir, aceitar e desistir, trilhar caminhos do jeito que quero, quando quero e como quero. Adoro isso e só consegui construir isso sabendo que eu era dona das minhas decisões e não o outro.

Isso não quer dizer que eu faça tudo sozinha e que não tenha prazer em dividir a vida com outras pessoas, aliás, eu amo estar com meus amigos e poder compartilhar e viver tantas coisas juntos. E o que quero dizer com tudo isso? Só quero ir contra a ditadura da felicidade no outro (veja bem, no outro ‘parceiro’). Entendo sim que nos compreendemos no outro, somos feliz com o outro, e concordo lindamente com a tão aclamada música que  “é impossível ser feliz sozinho”. Mas me cansei de ser alvo de papos indiscretos sobre como estou ‘velha’ e o quanto eu preciso de um namoro ou de um casamento para ser feliz. Ou então, de tantas pessoas que tentam me encontrar o cara perfeito. Quero que entendam aqui, eu não discordo que um namoro/casamento/ou seja lá o que for seja boníssimo pra vida, só discordo de como isso é prioridade pra algumas pessoas ou até nem isso, só discordo de que todos nós pensemos assim e precisemos disso urgentemente na vida.

É possível se sentir seguro sozinho e não ter medo disso. E isso pode ser uma decisão ou simplesmente uma situação. Por enquanto!

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