escre(VENDO) Insights

Meu conto de fadas fajuto!

Fevereiro 19, 2016

Não sei quando foi que deixei de acreditar em contos de fadas e nem sei se isso é tão bom quanto penso que seja. Esses dias, li um texto que dizia algo assim: “Sossega, tudo chega no tempo certo. Não te apressa, a vida se encarrega de trazer tudo que falta. Não desanima, os ventos fortes só surgem para mostrar como nossa base é forte.” Me pergunto o porquê de tanto positivismo, a gente cresce em meio à esses filmes hollywoodianos cheios de romantismos e finais felizes e de repente a gente começa a reproduzir isso de forma incansável.

Quando na realidade, as coisas não funcionam exatamente assim. Sim, as coisas não chegam nunca, parece que o que falta nunca vai aparecer e que os ventos fazem grandes estragos, pessoas morrem sem motivo aparente e a violência está aí pra quem quiser enxergar e pra quem não quiser também. Não, não existe o cara ou a mina ideal, o príncipe ou a princesa. Não! Tenho uma notícia pra você: se você quiser, você vai dar certo com quem quiser, com quem estiver disponível pra viver uma vida ao seu lado. Felizmente ou não, acredito que a gente consegue construir uma história com qualquer pessoa. (levando em conta afinidades e outras coisas, claro!) Assim como a gente constrói nosso próprio caminho e como as coisas não estão pré-definidas desde a fundação dos tempos. Por isso eu gosto tanto do final de How I Met Your Mother, porque é lindamente o que a realidade é. ♥ E a realidade é tipo assim:

 

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história

Porque não encontramos o que amamos fazer na vida de um dia pro outro, vivemos altos e baixos e muitas crises existenciais. Porque amigos e amigas nos decepcionam e nós os decepcionamos, porque nós temos sonhos, mas não temos vontade ou então temos vontade, mas não temos objetivos. Porque temos muita disposição e fazemos tudo certo, e no fim, tudo dá errado (vai entender!). Porque o zé mané que fez tudo ‘errado’ se deu bem na vida e aquele zé que fez tudo ‘certo’ não! Porque nós temos zilhões de conflitos e problemas, e pra poder viver, temos que aprender a conviver com eles ou amenizá-los, porque acabar com eles de vez, nunca conseguiremos.

Mas calma aí um pouco (: Nessa mesma realidade há tanta beleza, há beleza numa amizade que faz nos encontrar, há beleza nos sorrisos que cruzamos por aí, há beleza nas paixões, naqueles sonhos que se constroem juntos. Naquelas pessoas que se unem por uma causa, naqueles que carregam amor e distribuem quando muitos não conseguem mais. Sim, há muita beleza e aliás, que nunca percamos esse olhar cheio de beleza, apesar de nós, dos outros, da vida.

Tá, talvez eu esteja meio pessimista ou talvez a melhor palavra: realista! Eu sei que no final, todos queremos a mesma coisa: encontrar aquilo que nos falta. Porque está aí, nas músicas, na poesia, nas palavras incansáveis dos desesperados e no silêncio dos cansados. E o que nos faltava? Antes minha certeza era que o que nos faltava era única e exclusivamente uma coisa, hoje percebo que são várias pequenas coisas, assim como o ser é fragmentado o que falta pra ele também: uma música que acalme o coração, um abraço e um dizer que tudo vai ficar bem! Um sonho em fase de construção, boas gargalhadas com os sobrinhos, um café da tarde com a família, um lindo pôr-do-sol à beira mar. Amor, o Amor! E pra cada universo, faltam coisas diferentes. Cada ser carrega consigo coisas essenciais para si e para o outro, por isso há tanta beleza no colaborativo, no comunitário, no coletivo. Porque juntos, reunimos tudo aquilo que nos faltava. Porque cada um carrega uma fagulha de Deus, do amor perfeito, do que nos falta.

You Might Also Like

No Comments

Leave a Reply